Kingsman: O Círculo Dourado



           

           É sempre bom ter um pouco de receio com sequências de filmes bons e, no caso de Kingsman: O Círculo Dourado, esse receio é justificável. Temos aqui um filme divertido e visualmente fascinante, mas nem tão empolgante quanto seu antecessor.
            Após vários ataques às bases da Kingsman, os membros restantes da organização precisam unir forças a outra companhia de serviço secreto para impedir os planos insanos de Poppy (Julianne Moore) contra a humanidade.
            A direção é de Mathew Vaughn, o mesmo do filme anterior. Já sabemos que ele é bom diretor e aqui ele mantém a mesma mão para conduzir o filme. Sequências de lutas coreografadas acompanhados por uma câmera móvel e intrusiva, cheias de energia e uma trilha sonora ressaltam o vigor da edição. A verdade é que essas cenas são bastante divertidas de assistir e o diretor tira proveito disso. Minha ressalva é quanto a uma cena específica, propositalmente parecida com uma do filme anterior e que se passa em um bar, ela está ali só para proporcionar uma experiência visual aos espectadores, sem nenhuma relevância narrativa.


            A estética do filme, em termos de arte e fotografia, é clara e atual. Temos um senso de contemporaneidade que ampliam as possibilidades tecnológicas para os agentes do filme. A montagem também contribui para a criação desse mundo, vemos a capacidade para ordenar uma bagunça das cenas de ação, além de nos presentear com pelo menos três transições de ambiente ou tempo bastante criativas.
O interessante dessa harmonia é poder comparar com outros filmes sobre agentes de serviço secreto, como 007. Kingsman é uma espécie de versão moderna desse gênero, uma renovação de linguagem cinematográfica verossímil dentro de sua própria concepção.
O elenco é imenso, temos Channing Tatum, Halle Berry, Mark Strong, Jeff Bridges, Pedro Pascal, Edward Holcroft, Hanna Alstrom, Poppy Delevingne e até o Bruce Greenwood e a Emily Watson. Todos estão bem, mas a maioria não tem muita coisa para fazer no filme, é difícil dar profundidade e tempo em cena suficiente para desenvolver tanto personagem assim. E confesso que não entendi muito bem do propósito do Elthon John no filme.


Além de toda essa gente, encontra-se alguns que merecem destaque. A volta de Colin Firth como Galahad é uma boa surpresa, apesar da reintrodução do personagem parecer pouco convincente.  O protagonista Egsy, interpretado por Taron Egerton, continua uma grande presença em cena e nota-se que o ator está se divertindo com o papel. E a Julianne Moore despensa apresentações, sua personagem é uma antagonista provocativa, audaciosa e agradavelmente irônica, apesar de sua personalidade ser bastante comparável ao vilão do filme anterior.
Quanto ao roteiro podemos dizer que é um pouco instável. O primeiro ato apresenta uma premissa engajante e somos colocados para dentro do filme já nas primeiras sequências. Já segundo é um pouco entediante, temos muitas explicações e desenvolvimento, afinal todos aqueles personagens precisam aparecer em algum momento. Isso prolonga muito o filme que poderia ter no mínimo uns 20 minutos a menos se algumas histórias paralelas fossem cortadas aqui. Depois de tudo isso é de se esperar uma resolução arrebatadora, mas o que vemos não é tão empolgante assim.
Portanto, se você estiver procurando apenas entretenimento, Kingsman: O Círculo Dourado pode ser uma ótima escolha, mas se estiver esperando uma continuação com muita expectativa talvez você pode sair um pouco frustrado. Ainda assim, vale suas duas horas de dedicação.


Deixem seus comentários... 
Obrigado.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Me Chame Pelo Seu Nome

Extraordinário (2017)

Mulher Maravilha